Desde seu primeiro papel no filme “Riff Raff” (1991), Robert Carlyle já provou ser um poderoso ator, que traz uma inacreditável escala emocional a uma grande variedade de papéis. Trainspotting, Uma Canção para Carla, Padre, A Praia, As Cinzas de Ângela, Ou Tudo ou Nada… O currículo de Robert vai de A-Z, com alguns dos melhores filmes britânicos dos últimos 25 anos. Com a posse de OBE (Order of the British Empire – Ordem do Império Britânico) e Doutor Honorário, Robert foi ícone britânico por muitos anos. Pergunte para qualquer pessoa sobre Robert Carlyle e você invariavelmente terá a mesma resposta: “Ele é um ator fantástico”.

Sua ótima atuação como Rumplestiltskin e Mr. Gold em Once Upon a Time o transformou em um dos personagens favoritos pela leal saga de fãs da série em todo o mundo. Todos os que seguem sua carreira há anos ou a recém descobriram seu trabalho ficaram encantados com a maldade e perversidade do personagem na série de sucesso da ABC.

Robert foi muito generoso em dispor de um tempo em sua movimentada agenda para responder a algumas perguntas para o fansite britânico de OUAT e compartilhar sua opinião sobre os mais variados assuntos. Ele também revelou algumas coisas que nos deixaram atordoado. Leia a entrevista e saiba mais…

Você conseguiu não só construir, mas também manter uma grande base leal de fãs por todos esses anos e desde a estreia de OUAT parece que a coisa bombou muito. Como isso impactou o seu dia-a-dia ou você conseguiu levar tudo no mesmo ritmo?

Não houve nenhum impacto no meu dia-a-dia. Eu acho que qualquer tipo de atenção como essa só irá te afetar se você deixar. Eu sou, é claro, muito grato pela incrível resposta aos personagens (Rumple e Mr. Gold) e para todo o show em geral. Minha recente entrada no maravilhoso mundo do twitter com certeza fez com que isso me chamasse à atenção, mas eu acredito que você não deve ficar muito preso a tudo isso. Meu trabalho é na essência para entreter e meu foco tem que ser sempre no trabalho em si.

Os fãs frequentemente trazem a tona que as manias do personagem Rumplestiltskin foram influenciadas por seu filho mais novo. Ele sabe dessa influência para o desenvolvimento do personagem? Seu filho já o viu com a roupa do personagem? Se já, como ele reagiu a isso?

Ele não sabe disso… Apenas que ele sempre se chama de Mini Rumple e acha que ele é quem deveria estar interpretando meu filho na série, o que faz sentido, de uma maneira bizarra. Ele é, todavia, somente uma parte da equação. Há muitas influências, estilos e pessoas que fizeram com que o Rumple fosse o que é hoje. A maioria delas vocês nem ouviram falar. Algumas formas remontam alguns dos personagens e atores que eu amava e admirava desde pequeno.

Qual episódio de OUAT que você mais gostou de gravar?

Meu episódio favorito foi o “Skin Deep”. Sem grandes surpresas para vocês em relação essa escolha, eu creio.
Eu acho que ele foi lindamente escrito por Jane Espenson e dirigido com grande elegância por Milan Cheyloy. Eu senti que esse foi o episódio no qual as pessoas realmente começaram a compreender o Rumpel e talvez até um pouco do Gold. Você sente a solidão dos personagens, que suas vidas são incompletas.
E foi, com certeza, um prazer trabalhar com Emilie De Ravin. Eu acho que ela é uma maravilhosa Bela e um oposto perfeito para Rumple.

Você fez nome como diretor também, como em “Pathogen”, em Stargate Universe. Você tem alguma ambição em dirigir algum episódio de Once Upon a Time?

Eu gosto de trabalhar perto dos meus colegas atores, então sim, talvez isso possa acontecer. Depende da ABC, é claro.

Fãs parecem nunca cansar do romance de “RumBelle” (Rumple+Bella). Que caminho você gostaria que a relação deles seguisse nos episódios futuros?

Eu fui realmente surpreendido com a resposta da relação deles. Eu alegremente deixarei nas mãos dos gênios Eddy Kitsis e Adam Horowitz, para que eles decidam que caminho eles seguirão a partir de agora.

Todo mundo ama quando você faz suas sessões de Q & A no twitter e eu tenho certeza que deve ser meio exaustivo algumas vezes. Como você lida com todas essas pessoas competindo por sua atenção ao mesmo tempo?

É um pouco exaustivo algumas vezes. Que coisa estúpida para tentar… Responder à todos!!
Eu realmente gosto de fazer isso, mas eu gostaria que as pessoas fizessem uma ou duas perguntas e esperassem pela resposta, do que me enviassem dezenas. Coisas como “Qual sua cor favorita” realmente atrapalham. Eu estou sempre disposição e feliz para falar sobre o meu trabalho.

Você mostrou seus talentos musicais em “California Solo”, que esperançosamente terá o grande lançamento nesse outono, (e é claro sua aparição no clipe “Little by little” do Oasis). Quais músicos ou bandas estão em sua playlist atualmente?

Eu amo música. Eu prefiro um bom show à um filme em qualquer dia da semana. Eu uso muito a música quando eu estou trabalhando. Eu realmente queria ter aprendido a tocar guitarra mais cedo, fugido e entrado em uma banda. Eu sou o arquétipo frustrado de um rock star e eu tenho muitos amigos na indústria da música.

Você sempre saberá qual trailer é meu pela música que constantemente toca, como Rod Stewart, Bob Dylan, The Beatles, David Bowie, Elton John, Tom Waits, Paul Weller, Massive Attack, Primal Scream, Stone Roses, Kasabian… esses são só alguns nomes.

Nós amamos que sua voz está em vários projetos, como na versão do áudio de “The Cutting Room”, de Louise Welsh, e no jogo de vídeo game Castlevania: Lords of Shadow. Você tem mais algum projeto neste estilo?

Não tenho nenhum plano de imediato, embora haja conversas sobre outros Lords of the Shadows.

Quais são os seus três filmes favoritos de todos os tempos?

Eles podem mudar de dia para dia, mas entre os favoritos estão “Vício Frenético” e “Touro Indomável”, talvez também a ótima animação do Studio Ghibli “A Viagem de Chihiro”, para trazer um pouco de luz a essa lista.

Qual o seu livro favorito?

É triste dizer que não sou um leitor ávido, especialmente quando estou trabalhando. Eu acho que os livros podem te levar  para longe do mundo no qual você está tentando se expressar. Alternadamente, eu posso sentar por literalmente horas com nada na minha frente senão minha imaginação.

Qual foi a cena mais desafiadora que você filmou em OUAT?

Sem dúvida foi a cena entre Gold e Mo, o florista, na cabana na floresta. Eu achei extremamente difícil.

Pela primeira vez em minha carreira eu estou fortemente ciente que muitas crianças assistem e amam a série. Eu senti que eu deveria ter muito cuidado para não alienar essa jovem audiência embora, ao mesmo tempo, expressar a raiva de Gold. Esperançosamente eu ponderei corretamente.

Qual foi sua mais memorável experiência como ator?

São tantas para escolher. Essa é a grande vantagem da vida de atuação, você pode se meter em situações, ser forçado a confrontar coisas que você nunca teria a chance se tivesse escolhido outro caminho.

Entre alguns momentos, os mais memoráveis locais foram na filmagem de “O Insaciável”, nas montanhas Tatra, na fronteira entre Polônia e Eslováquia, e gravando a série SGU (Stargate Universe) no inacreditável deserto de Bisti Badlands, no deslumbrante Novo México.

Qual papel foi o mais exigente psicologicamente e emocionalmente?

Eu interpretei Hitler em uma mini série da CBS “Hitler, The Origins of Evil” (tradução literal: Hitler: A origem do mal) e foi muito duro. Foi tremendamente difícil fazer minha cabeça entrar neste personagem. Interpretar qualquer personagem demanda que você pelo menos tente compreender essa pessoa, não importando quão desagradável ele possa ser. Esse não era um personagem, era muito real. Um dos homens mais maldosos de toda a história e realmente precisei de literalmente meses para chegar lá… e muitos meses para sair do personagem. De brincadeira, a equipe costumar chamar a peça de “The Oranges of Evil” (As laranjas do mal”). Isso sempre me fez rir.

Você tem alguma história engraçada ou alguma cena extra que não foi ao ar de OUAT que você poderia compartilhar conosco?

Eu gosto que a atmosfera no set de gravação seja calma, mas respeitosa. Eu nunca revelo coisas como essas porque eu acredito que devem “ficar em casa”.

Muitos fãs sentiram que o Mr. Gold ainda não aprendeu sua lição no final da primeira temporada. Ele novamente colocou o poder antes do amor ao espalhar a magia em Storybrooke. Se toda magia tem um preço, você acha que Rumple irá pagá-lo na segunda temporada?

Eu não tenho absolutamente ideia nenhuma e é assim que eu gosto! Novamente, eu felizmente deixo tudo para o magnífico time de escritores.

Suas cenas com Lana são absolutamente ilustres; cada cena entre Rumple/Gold e Regina é simplesmente muito divertida de ver. Há alguma em particular da primeira temporada que se destaca para você?

Eu absolutamente amo trabalhar com a Lana. Nós temos diferentes abordagens para trabalhar, mas é sempre, sempre interessante e gratificante. E muito engraçado também.
Tantas para escolher da primeira temporada, mas duas são minhas favoritas… a cena da cela no segundo episódio, quando nós estávamos cara a cara, bem perto e sujo!! E a fantástica cena, novamente na cela, no episódio 12 “Skin Deep”, quando Gold é forçado a revelar que ele sabe que é Rumpelstiltskin para finalmente pegar a xícara lascada de volta.

Para finalizar… Os fãs tem dado tanto apoio e nós estamos maravilhados como eles se engajaram na campanha para arrecadar dinheiro para o With Kids. Mais de £1000 já foram arrecadados e nós temos um leilão beneficente a ser realizado no início de setembro. O que você pode dizer para todos os fãs que fizeram isso possível? E porque With Kids é tão importante para você?

Eu não consigo expressar quão comovido eu estou pela resposta do leilão beneficente do With Kids. Em pensar no que esses garotos fizeram, totalmente sem solicitação, realmente me surpreendeu. Foi uma coisa muito linda e acreditem em mim, esse dinheiro não poderia ter ido para uma causa mais digna. Essa caridade significa muito para mim, porque eu acredito que cada criança e cada família merece uma chance decente na vida. Nós todos desejamos uma pausa. Uma coisa que meu pai e eu poderíamos ter tido muitos anos atrás.
No que se refere ao leilão que está por acontecer em setembro, eu irei doar o que eu acredito que será a peça final. A atual xícara lascada de “Skin Deep”!.
Eu a peguei no set como uma lembrança do que eu achava que era uma das melhores peças da televisão que eu tive o prazer de estar envolvido. Eu devo autografa-la e pedirei para que Emilie faça o mesmo e a colocarei no leilão.
Para finalizar, muito obrigado a todos pelo incrível suporte que vocês tem me dado na série. Nós tivemos sucesso na nossa jornada por muitos fatores e não podemos subestimar a sua parte, a da audiência, que está presente nisso. FORÇA OUAT!!!

 

Tradução e adaptação: Carolina Silveira – Equipe OUATBR